segunda-feira, 27 de julho de 2009

Desespero



Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.

Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.

Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu

A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.

Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'

5 comentários:

N@noTeC no seu melhor, ou não... disse...

Disse-te um dia
Façamos da chuva
o nosso banho quente de espuma
E que do frio se soltem gotas de suor
para bebermos uma a uma
Quis nesse dia
Viver como sempre vivo, em fantasia
E dizer-te que só o que
se inventa vale a pena
Mas nesse dia
Quis fazer-te um poema
e faltou-me a inspiração
Quis surpreender-te
faltou-me a magia
Quis resolver questões,
mas não tinham solução
E só então percebi a ironia
de acordar em dia não.


By
Ana Zanatti

sonia disse...

Um bocado porno, este poema... muito lindo, mas galdério!

Beijo

Paulo disse...

Algém disse que "O que mais desespera, não é o impossível. Mas o possível não alcançado...", por isso faz o favor de não desistires para que possas alcançar aquilo é possível e aquilo que mais desejas...

A Felicidade é possível de alcançar...

BJS GRANDES

Just me disse...

Evandro:
Estou sem palavras.....

Sónia:
Um bocado galdério.... Mas bonito!

Paulo:
Digo-te o mesmo: A felicidade é possível de alcançar!!!!!

Beijocas

Paulo disse...

Pois é... Só falta encontrar o caminho certo para lá chegar...

Está quase...

BJS GRANDES