sábado, 14 de novembro de 2009

Tarde no mar


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia.
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

2 comentários:

sonia disse...

Vem morar para perto de mim, que deixas logo de gostar tanto do mar! Ou melhor, nem te lembras que ele existe!

Paulo disse...

"Nada nos impede mais de ser naturais do que o desejo de o parecermos..."

Sê tu mesma e receberás a recompensa por isso...

BJS GRANDES