domingo, 11 de outubro de 2009

Alexandre O'Neill (Poeta: 1924 - 1986)

Gaivota


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Biografia do poeta:

1924: Filho de um bancário e de uma dona de casa, nasce em Lisboa Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões. - 1944: Termina o 1.º ano da Escola Náutica de Lisboa mas, por causa da sua miopia, é-lhe recusada a cédula marítima para exercer pilotagem. Alexandre não continua os estudos. - 1945: Final da II Guerra Mundial. - 1946: Em consequência de um conflito familiar, O’Neill abandona a casa dos pais e passa a viver na casa do tio materno. - 1948: É um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa; colabora na Ampola Miraculosa, livro de colagens surrealistas. - 1949: Em Lisboa, apaixona-se pela surrealista francesa Nora Mitrani. - 1950: Grande polémica e O’Neill rompe com o Movimento Surrealista. - 1951: Publica a colectânea Tempo de Fantasmas. - 1953: Morte de Estaline. Durante 40 dias O’Neill fica preso pela PIDE. - 1956: XX Congresso do PCUS, Kruchtchev denuncia os crimes de Estaline. - 1957: Alexandre casa com Noémia Delgado. - 1958: Publica No Reino da Dinamarca. - 1959: Nascimento de Alexandre Delgado O'Neill, primeiro filho do poeta. - 1960: Publica Abandono Vigiado. - 1961: Suicídio de Nora Mitrani. - 1962: O’Neill publica Poemas com Endereço. - 1965: Publica Feira Cabisbaixa. - 1966: Em Turim, Itália, são publicados poemas de O’Neill sob o título Portogallo mio rimorso. - 1969: Publica De Ombro na Ombreira. - 1970: Publica As Andorinhas não têm Restaurante. - 1971: Alexandre divorcia-se de Noémia e no mesmo ano casa com Teresa Patrício Gouveia. - 1972: Publica Entre a Cortina e a Vidraça. - 1974: A 25 de Abril, a Revolução dos Cravos. - 1976: Nascimento de Afonso O’Neill, segundo filho do poeta. - 1979: O’Neill publica A Saca de Orelhas. - 1980: Apaixona-se por Laurinda Bom; publica Uma Coisa em Forma de Assim. - 1981: Alexandre divorcia-se de Teresa; publica As Horas já de Números Vestidas. - 1983: Publica Dezanove Poemas. - 1986: Escreve O Princípio de Utopia, O Princípio de Realidade. Doença cardíaca, morte do poeta.

Afinal, parece que acertei...






Eu sei que esta música já andou neste blogue, mas era esta que me apetecia ouvir hoje, bem acompanhada, claro!

2 comentários:

Paulo disse...

"... nesse céu... esse olhar que era só teu..." muita coisa boa faz acontecer...

"São os olhos que dizem o que o coração sente..."

BJS GRANDES

sonia disse...

Eu não li tudo, porque não estou com paciência. Não entendi porque puseste este post...já sabias toda a informação que lá estava!!!

Beijo