sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O jogo da loucura


Este é um texto de autor desconhecido, que uma grande amiga, a Avó Sãozinha, me contou e reproduziu em papel. É uma história deliciosa que espero que gostem!


Estava um dia daqueles em que não apetece fazer nada.

A loucura estava em casa na companhia de vários amigos e dá um salto cheio de alegria e diz:

- Vamos jogar ao esconde – esconde.

Todos responderam, VAMOS!!!!

A curiosidade, como sempre teve de saber como era o jogo e a loucura explicou:

- Vou contar até 100 e enquanto isso, vocês vão-se esconder, quando acabar vou começar a procurar e o primeiro que eu encontrar será o que vai ficar a contar no novo jogo.

- Ok, disseram todos.

A loucura tapou os olhos e começou a contar:

- 1, 2, 3, 4,……………………..

A preguiça que estava por perto deitada num sofá pensou:

- Vou ficar por aqui, ainda tenho muito tempo para me esconder.

A contagem continuou:

- 98, 99 e 100.

- Aí vou eu! – disse a loucura.

Claro que a primeira a ser encontrada foi a preguiça que ainda continuava deitada no sofá.

Mesmo assim a loucura foi ver onde estavam os outros amigos.

A indecisão estava em cima do muro sem saber se ía para a direita ou para a esquerda.

O triunfo estava num sítio bem alto, para que todos o vissem bem.

O orgulho estava todo inchado por não ter sido o primeiro a ser encontrado.

A piedade estava todo encolhidinha atrás de uma porta.

A curiosidade estava a espreitar atrás de um armário.

E aos poucos todos foram encontrados.

A indecisão ainda estava em cima do muro, a curiosidade espreitava, a piedade encolhida, a dor a chorar, etc…

Quando estavam todos juntos a curiosidade perguntou:

- Onde está o Amor? Não o vejo por aqui.

A loucura respondeu:

- Tens razão, não sei onde está o Amor, mas vou já à procura dele.

Procurou dentro de casa, procurou no jardim, em aldeias, cidades, vales e oceanos, nada do amor.

Depois de muito andar chegou a um jardim com roseira e com um pauzinho começou a procurar.

Quando estava a mexer com o pauzinho numa roseira, ouviu:

- Ai, ai, ai!

- Quem está aí? – perguntou a loucura.

- Sou eu o amor e tu tiraste-me um olho, agora estou cego.

A loucura ficou muito aflita e disse:

- Amor desculpa! Se tu me perdoares eu prometo que nunca mais te deixo. Irei contigo a todo o lado.

O amor desculpou e foi assim até hoje. O amor é cego e louco!

3 comentários:

Maria da Conceição disse...

Obrigada
Acho mesmo uma delicia.
Beijo grande
Avó Sãozinha

made in ♥ love disse...

Como diria o fado:
"o amor é louco
não façam pouco dessa loucura
talvez quem ria
fique algum dia
louco sem cura"

o fado tem razão e tu tambem... agora fizeste-me lembrar da minha avozinha de quem tenho tantas saudades...

Um beijinho
Eduarda
Be in ♥ love

Paulo disse...

Lindo...

Quando se Ama, Ama-se...

"Há sempre alguma loucura no amor..."

"As coisas mais belas são as que a loucura sopra e que a razão escreve..."

"As loucuras provêm da natureza íntima do verdadeiro amor..."

Obrigado por partilharem essa bela história connosco...

BJS GRANDES