segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Obscuro Domínio



Amar-te assim desvelado
entre barro fresco e ardor.
Sorver o rumor das luzes
entre os teus lábios fendidos.

Deslizar pela vertente
da garganta, ser música
onde o silêncio aflui
e se concentra.

Irreprimível queimadura
ou vertigem desdobrada
beijo a beijo,
brancura dilacerada

Penetrar na doçura da areia
ou do lume,
na luz queimada
da pupila mais azul,

no oiro anoitecido
entre pétalas cerradas,
no alto e navegável
golfo do desejo,

onde o furor habita
crispado de agulhas,
onde faça sangrar
as tuas águas nuas.

Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"

4 comentários:

Paulo disse...

Não consigo "dizer" mais do que isto:

"Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas."

BJS GRANDES

sonia disse...

Não me aptece comentar nada que tenha a ver com o amor!!!

Beso

Just me disse...

A mim nem me apetece amar ninguém.... Já não há finais felizes nem nos filmes, quanto mais na vida real!!!

Beijocas

Paulo disse...

Não digas isso sff!!!

Não te quero a pensar assim...

Faz o favor de não desistir...

BJS GRANDES