domingo, 20 de setembro de 2009

Mãe

Mãe

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga

3 comentários:

Paulo disse...

Uma bela e sentida Homenagem...

Só Tu...

Mais uma vez deixas-te-me sem saber o que escrever...

BJS GRANDES

sonia disse...

Nada nunca a vai afastar de ti! Não vês o corpo, mas sentes a presença!

Love u

Just me disse...

Beijocas!!!